quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Descobre-se vapor de água em Ceres

O observatório espacial Herschel da ESA descobre vapor de água em Ceres. Esta seria a primeira vez que se deteta água num objeto do cinturão de asteroides. Com um diâmetro de uns 950 km, e orbitando o Sol entre Marte e Júpiter, pensa-se que este planeta anão poderia ter um núcleo de rocha coberto por um manto externo de gelo.

Representação artística de Cerse (crédito: ESA)
Os autores da descoberta, Michael Küppers da ESA e os seus colaboradores de diversos centros de investigação internacionais, publicaram ontem um artigo em Nature no qual informam da deteção de vapor de água em duas zonas de Ceres. Com uma produção estimada de 6 kg por segundo sugerem que a origem mais provável deste vapor de aǵua poderia ser a sublimação do gelo existente na superfície, já que estas zonas mais escuras estariam a absorver mais radiação solar e, portanto, estariam a maior temperatura que o resto da superfície.

Espera-se que na primavera de 2015 a missão Dawn da NASA, atualmente rumo a Ceres, permita averiguar a origem certa destas emissões e fazer novas descobertas no maior objeto do cinturão de asteroides.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

GAIA chega ao seu destino

Após o seu lançamento o passado 19 de dezembro o observatório espacial GAIA acaba de finalizar (em 14 de janeiro) a sua entrada na órbita em redor do ponto L2, situado a 1.5 milhões de km da Terra.


Este é um dos cinco pontos de Lagrange, aqueles lugares próximos dum sistema orbital de dous corpos onde as forças se equilibram.

Os cinco pontos de Lagrange no sistema Terra-Sol.
Durante os próximos cinco anos GAIA girará em redor de L2 seguindo uma órbita de Lissajous de 263000 x 707000 x 370000 km com um período de 180 dias.







sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Erupção solar de classe X

A enorme mancha solar AR1944 produziu há dous dias, sobre as 19:30 do 7 de janeiro, uma erupção de classe X (a máxima possível). Isto deu lugar a uma ejeção de massa coronal que atingirá a Terra o dia 9.


É de esperar que este energético evento permita, nos próximos dias, observar auroras a latitudes mais baixas do que é habitual.

Mais informação:
http://www.spaceweatherlive.com/community/topic/582-middle-latitude-auroral-activity-watch-january-9-2014/?p=6121
Aspecto atual do Sol (no visível):
http://sohowww.nascom.nasa.gov/data/synoptic/sunspots_earth/mdi_sunspots_1024.jpg

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

As Gemínidas (e a Lua) em 2013

As Gemínidas são uma das chuvas de meteoros mais interessantes do ano. O radiante, ponto do firmamento donde por efeito da perspetiva os meteoros parecem provir, está situado muito perto da estrela Castor, na constelação dos Gémeos, daí o seu nome. Costumam ser relativamente lentos, com velocidades de 35 km/s (aproximadamente a metade da observada noutras chuvas como, por exemplo, as Leónidas).
Céu em direção oeste às 6:45 do dia 14. A mira vermelha indica a posição do radiante.

Talvez a caraterística mais singular desta chuva de estrelas seja a sua origem. Assim, a nuvem de meteoroides que a Terra atravessa a cada ano entre o 4 e o 17 de dezembro (com o máximo arredor do dia 14) não é constituída pelos restos deixados após a passagem pelo periélio de nenhum cometa, senão de um asteroide de uns 5 km de diâmetro, o Faetonte, que completa uma volta em redor do Sol a cada 1.43 anos.
Nuvem de meteoroides e órbita da Terra (em 2013).

No que respeita às condições de observação, o radiante aparece pelo horizonte leste ao início da noite astronómica, de maneira que permanece durante grande parte desta a uma boa altura. Infelizmente, a madrugada do sábado, a Lua, com o seu disco iluminado num 91%, constituirá um sério impedimento para a observação destes meteoros. Por outra parte, para 2013 aguarda-se que o máximo desta chuva tenha lugar por volta das 6:45 (hora local de Lugo) do sábado 14 de dezembro. Nestas condições a faixa de observação ótima será relativamente breve, entre o ocaso da Lua e o alvorejar do dia, isto é, entre aproximadamente as 6:00 e as 7:15 da manhã do sábado.

A ZHR (taxa horária zenital) máxima estimada para 2013 é de 120. Este seria o número de meteoros que um observador poderia ver durante uma hora sob um céu completamente escuro se o radiante estiver no zénite. Realizando as correspondentes correções o máximo número de meteoros que poderíamos esperar observar num local livre de poluição luminosa nos arredores de Lugo na faixa horária indicada anteriormente seria de aproximadamente 40 (baixando drasticamente até valores de uns poucos meteoros para ambientes com maior poluição luminosa).

Aguardemos que, para além destas dificuldades, as condições meteorológicas sejam favoráveis...

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

ISON: mais morto que vivo...

Finalmente parece que será mui difícil observar os restos do cometa ISON após a sua fugaz passagem pelo periélio. Na seguinte animação mostra-se a sequência completa do evento tal e como foi registada pelos coronógrafos do satélite SOHO. Nela observa-se a ténue nuvem de pó em que acabou convertido ISON trás uma longuíssima viagem desde os confins do Sistema Solar.


Assim será como o cometa ISON será lembrado:
Cometa C/2012 S1 (ISON) [imagem: Damian Peach]

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

ISON: vivo ou morto?


Ontem, a câmara de ultravioleta AIA do Solar Dynamics Observatory (SDO), a sonda da NASA em órbita terrestre que estuda o Sol, não foi capaz de observar o esperado passo do cometa ISON pelo periélio. Na Figura 1 uma cruzeta branca indica o ponto na imagem do SDO onde o cometa ISON deveria ter aparecido às 19:40 (hora local) do dia 28 de novembro se este tivesse sobrevivido após a sua aproximação extrema ao Sol.

Figura 1. Imagem no ultravioleta da zona do periélio onde se deveria ter observado o cometa.
Horas antes disto o coronógrafo solar LASCO C3 do Solar and Heliospheric Observatory (SOHO), uma sonda da ESA e da NASA situada no ponto de equilíbrio gravitacional entre a Terra e o Sol, mostrava-nos o achegamento de ISON à nossa estrela. Na seguinte animação pode ver-se a entrada do cometa no campo do coronógrafo, onde o último fotograma corresponde às 07:18 (hora local) do dia 28 de novembro.

Figura 2. Animação do coronógrafo LASCO C3 do SOHO antes do periélio.

Apesar do intenso brilho do cometa mostrado pelas primeiras imagens do SOHO ao longo de toda a manhã, nas horas seguintes às observações falidas do SDO, já de tarde-noite, pensou-se que o núcleo do cometa se tinha desintegrado durante a passagem pelo periélio, algo relativamente habitual nos chamados cometas rasantes (para mais no caso de um pequeno cometa de no máximo uns 2 km de tamanho, segundo estimações realizadas a partir das imagens do telescópio espacial Hubble).
Porém, as imagens do SOHO posteriores à passagem pelo periélio revelaram a existência de certa estrutura. Ainda não está claro se esta corresponderia à parte do núcleo que teria resistido ou simplesmente são os restos da cauda do cometa. Na parte superior da Figura 3 mostra-se a imagem registada pelo coronógrafo do SOHO às 10:22 do dia 29 de novembro.
Figura 3. Imagem do coronógrafo LASCO C3 do SOHO após o periélio.
Uma sequência completa do acontecido é a que nos proporciona o coronógrafo LASCO C2 do SOHO numa sequência que vai das 01:22 do dia 28 às 1:13 (hora local) do dia 29 de novembro (ver Figura 4).

Figura 4. Animação do coronógrafo LASCO C2 do SOHO (em todas as imagens o círculo branco central representa a posição do Sol).

Em resumo, haverá que esperar um ou dous dias para saber se realmente o ISON sobreviveu ao seu encontro com o Sol ou se realmente o que estamos a ver são simplesmente os seus restos.


terça-feira, 5 de novembro de 2013

Quantos planetas habitáveis poderia ter a nossa galáxia?

Astrónomos da Universidade de Califórnia em Berkeley e da Universidade de Havai acabam de achar uma possível resposta a esta pergunta após analisarem os dados obtidos pela observatório espacial Kepler durante quatro anos.


 A sua conclusão é que um 22% da estrelas similares ao Sol poderiam hospedar planetas habitáveis (ainda que não todos teriam porque ser rochosos ou ter água líquida).

Isto permite estimar que o mais próximo destes planetas estaria orbitando uma estrela situada a menos de 12 anos-luz de distância.

Mais informação: News Center (UC Berkeley)